quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Dói em minh'alma...
A saudade que a vida deixou.
Das lacunas que o tempo não apagou,
Das areias brancas que o mar levou.
Ah! Dói em minh'alma...
As lembranças vividas,
Das palavras de amor que não foram ditas!
Dói quando o vento frio bate em meu rosto.
Quando deito minha cabeça em teu peito,
E ouço meu próprio soluço...
 Se quebrando como cristal.
Mora em mim um vazio,
Uma ferida escondida em minh'alma.
Essa dor intensa cheia de mistérios,
Em volto num frio véu de lembranças!
Dói em minh'alma...
O dissabor do fogo da noite,
Onde deixei  meus sonhos guardados...
No guarda-livros da minha vida.
Quando tua ausência se perdeu na noite,
Doeu minh'alma de medo.
Insensatos sorrisos perderam-se nos porões do tempo,
E minh'alma trêmula anda a sombra do teu corpo.
Angela Maria 22/11/2017



segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Última gota...   
Bebi a última gota; do meu juízo. 
Gotas de anseios ardentes, 
Concentrei a essência... 
Para ser sugada a última gota de sangue. 
Numa vontade débil; sem medo,
 Com último suspiro adormecido... 
Nasce a última gota de desejo! 
Dos meus olhos... Extrai a essência do amor!
 Última gota...De vela pingando,
 Nas paredes brancas da memória... 
Em taça dourada, Gotas de medo...
Gotas das minhas lágrimas!
 Que crucificou a ausência de evidências.
 Última gota...De suor derramado, 
Como um cego...Fadado a olhar...
 A água que escorre pelo teu corpo,
 A última gota da transparência... 
Retidas no teu olhar! 
Salta...Pinga...Respinga... Essa gota que o chão alcançou.
 Bebo a última gota do teu cansaço,
 A rebeldia da lágrima... 
Que brotou no canto dos olhos.
 Os segredos desvendados do teu corpo,
 Bebo a última gota de saliva... Que tua boca me oferece. 
No teu corpo exitado... Corpo em tormento,
 Nossos momentos insanos... 
Bebo gotas que teu corpo me oferece,
 Como últimas gotas de orvalho!  
Angela Maria 2015

Troca de olhares...  
Em fugidios lampejos, Vem beijar minha boca...
 Ungir meu corpo... Prender nossas línguas em prisões, 
Quando tua língua invade minha boca... 
Sem correntes; e sem grilhões! 
Que só nossas bocas oferecem. 
Bebendo na fonte de todos os demônios.
 E nas linhas flutuante desse olhar, 
Olhar de tentação... Com segredos e revelações,
 Fazemos travessuras da nossa entrega! 
Esse é o segredo do olhar... Quando se se transforma em palavras.
 Porque a cada olhar, vai e volta o desejo,
 Cada olhar seu...Vislumbra a cor do meu íntimo!
 O olhar dourado do abismo... 
Conhece o gosto da palavra e do medo!
 Troca de olhares...Numa cumplicidade,
 No rugir das entranhas... Apanhada como armadilha!
 Olhar...Olhar...Olhar sempre... 
Porque teu olhar está presente,
 Na minha boca; no meu corpo...
 Como um furacão de um sonho! 
Angela Maria 2013

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Os versos que rasguei...
Rompi as amarras d'alma,
Tomei posse dos meus sentidos,
Quando meus versos rasguei.
Num sopro da razão...
As lembranças rodopiavam perante meus olhos.
O amor saltava de cada palavra escrita,
Como carícias do vento sobre as montanhas!
Corri atrás de nuvens da incerteza,
Abracei meu próprio corpo.
Salpiquei com pó de ouro,
Quando meus versos rasguei!
Joguei cada página rasgada...
No ventre negro da noite.
No rendilhado dos meus sonhos,
Misturei tudo com o entulho da minha memória.
Tropecei nas teias do destino,
Quando tentei tecer minha própria magia.
Em versos guardados em solidão!

Angela Maria   04/05/2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

Quando fecho os olhos...
A montanha-russa de meus pensamentos,
Entra em movimento.
Ondas sombrias de desejos,
Rasga meus sonhos em versos.
E um perverso sedutor...
De olhos velados,
Fica a sombra de um sorriso,
Velando meu sono.
E as sensações umidece meu corpo.
Exitando meus sentidos!
Ah! quando fecho os olhos...
Você captura minha boca,
Com beijos libertinos...Possessivos.
Com carícias que fazem meu corpo...
 Desprovido arfar.
Estilhalançando-se em faíscas de luz.
Quando fecho os olhos...
Fico coletando lembranças,
Com imagens sedutoras...
 Rodopiando pela minha mente.
E o medo de acordar na escuridão,
Vem o pânico e crava suas garras,
E com toda indiferença... 
Vem assombrar meus sentidos!
Angela Maria 05/04/2016

quinta-feira, 17 de março de 2016

Raio X...   
Vai do meu peito ao meu regaço,
 Nos afazeres dos meus sonhos... 
A língua como artefato!
 Corpo explícito; encontros com as estrelas. 
Descobri na tua pele...Um pedaço de mim!
 Como raio ultravioleta... 
Que trafegam sobre nossos corpos. 
Deslizando nas minhas poesias!
 Num universo radiativo; na troca de galanteios, 
Nas chapas de raios-X dos amantes!
 Verdadeiro manifesto da estética, 
Na tangente negativa do ciúme... 
Calcula-se que os raios incandescentes,
 Que passa pela matriz do amor, 
Como raios-X na flor da pele!
 E como resultado de um exame de raios-X, 
Vou dormir em ritos mágicos..
. Como um filme branco e preto. 
E borboletas multicores pousavam no meu corpo,
 Trançando raízes no peito como enfarto!
 E na pele eriçada; roçam palavras entre palavras,
 Numa sensação que sobe pelos pés...
 Espalhando-se pela cama; entrando pelos ouvidos,
 Arrepiando toda a epiderme.
 Estilhaçando vitrais; nas simetrias das figuras. 
Nas câmaras o olhar de raios-X das imagens ampliadas! 
Angela Maria 2013
Mãos...   

Que tocam meu rosto; minha pele. 
Com sentido de vida; entrego-te meu corpo,
 No alvorecer de todos os perfumes... 
De noites estreladas na órbita do mundo! 
Mãos...Que me desperta com carinho, 
De abismos profundo...Mãos submissas.
 Que ficam á deriva no meu corpo,
 No mar do meu destino...
 Sem rota certa; que esmiúça meu coração.
 Que toca pedaços de minh’alma, 
Que não deixa vestígio de desilusão! 
Que guarda meus beijos na ponta dos dedos. 
Que perseguem a jornada do meu corpo, 
Para guardar na memória os sentidos.
Que alçam vôo na calmaria das tempestades.
 Mãos...Que aninham meus sonhos,
 Na magia das cirandas; abraçando a primavera.
 Que aquece puras mágoas,
 Em versos tristes; que arrebata em ciúmes. 
Mãos...Que deixam brotar nas madrugadas...
 A vigília da tua espera; no silêncio da noite.
 As primeiras carícias; no silêncio de paz.
 Ah! Suas mãos... Instrumentos a mais; para me conquistar,
 Hoje...Tenho o rosto entre tuas mãos; vejo-me submersa...
 Na boca...Sem grito...Nos sonhos...Meus fantasmas,
 No meu corpo...Teu cheiro... 
Nas tuas mãos...Meu corpo! 
Angela Maria 2013