quinta-feira, 17 de março de 2016

Raio X...   
Vai do meu peito ao meu regaço,
 Nos afazeres dos meus sonhos... 
A língua como artefato!
 Corpo explícito; encontros com as estrelas. 
Descobri na tua pele...Um pedaço de mim!
 Como raio ultravioleta... 
Que trafegam sobre nossos corpos. 
Deslizando nas minhas poesias!
 Num universo radiativo; na troca de galanteios, 
Nas chapas de raios-X dos amantes!
 Verdadeiro manifesto da estética, 
Na tangente negativa do ciúme... 
Calcula-se que os raios incandescentes,
 Que passa pela matriz do amor, 
Como raios-X na flor da pele!
 E como resultado de um exame de raios-X, 
Vou dormir em ritos mágicos..
. Como um filme branco e preto. 
E borboletas multicores pousavam no meu corpo,
 Trançando raízes no peito como enfarto!
 E na pele eriçada; roçam palavras entre palavras,
 Numa sensação que sobe pelos pés...
 Espalhando-se pela cama; entrando pelos ouvidos,
 Arrepiando toda a epiderme.
 Estilhaçando vitrais; nas simetrias das figuras. 
Nas câmaras o olhar de raios-X das imagens ampliadas! 
Angela Maria 2013
Mãos...   

Que tocam meu rosto; minha pele. 
Com sentido de vida; entrego-te meu corpo,
 No alvorecer de todos os perfumes... 
De noites estreladas na órbita do mundo! 
Mãos...Que me desperta com carinho, 
De abismos profundo...Mãos submissas.
 Que ficam á deriva no meu corpo,
 No mar do meu destino...
 Sem rota certa; que esmiúça meu coração.
 Que toca pedaços de minh’alma, 
Que não deixa vestígio de desilusão! 
Que guarda meus beijos na ponta dos dedos. 
Que perseguem a jornada do meu corpo, 
Para guardar na memória os sentidos.
Que alçam vôo na calmaria das tempestades.
 Mãos...Que aninham meus sonhos,
 Na magia das cirandas; abraçando a primavera.
 Que aquece puras mágoas,
 Em versos tristes; que arrebata em ciúmes. 
Mãos...Que deixam brotar nas madrugadas...
 A vigília da tua espera; no silêncio da noite.
 As primeiras carícias; no silêncio de paz.
 Ah! Suas mãos... Instrumentos a mais; para me conquistar,
 Hoje...Tenho o rosto entre tuas mãos; vejo-me submersa...
 Na boca...Sem grito...Nos sonhos...Meus fantasmas,
 No meu corpo...Teu cheiro... 
Nas tuas mãos...Meu corpo! 
Angela Maria 2013
Perfídia...   

Tirei todas as roupas das gavetas, 
Nas roupas o cheiro do pecado!
 Sentindo o gosto da vergonha, 
Lambuzei-me de orvalho de todos os egoísmos. 
Traí meus sentimentos. 
Afoguei todas perfídias num copo cheio de dor! 
Encobri abismos de hipocrisia,
 Vaguei pelo mundo das maledicências. 
No mundo de cortesia; sucumbi ao êxtase do amor! 
Lapidei palavras que nem dissestes, 
Conheci teus gritos abafados; horas desperdiçadas, 
Tuas tramas... Mentiras...Tua melancolia. 
Teu caminhar em saltos altos.
 Na sombra tu caminhas com passos largos,
 Machucando corações desapercebidos. 
Quarenta graus sobre o asfalto! 
Teu beijo...Tem gosto de fel. 
Escondida no manto de um juramento,
 Perfídia...De todas as palavras,
 Lágrimas de mentiras que são derramadas. 
Mulher bonita...Perfumada...Astuta, 
Que definha toda a esperança! 
Mãos ardilosas com lágrimas insanas. 
Confessa falsos amores; atende por senhora,
 Lança a pena sóbria; fantasiada com adornos.
 Vestida sempre com altivez... 
Num simples contraste ao fino caráter, 
Não resistindo ao próprio impulso da paixão! 
Angela Maria 2015

quarta-feira, 16 de março de 2016

Ai que preguiça...
Abro...Fecho os olhos...
 A lentidão nem me deixa comer. 
Arrasto minha preguiça... 
Fiando fios ao luar! 
Sou forçado a fazer um bocejo...
 Quando ouço a barriga roncar!
 Sou preguiçoso como uma segunda-feira,
 Adoro rodear pernas, 
Ver o amor nos olhos de quem vê uma tela. 
Quando consigo acordar, sou ginástico, 
Sou polícia secreta dos quartos! 
Orgulhoso como só eu mesmo, 
Não ando em bando...Ando sempre sozinho.
 Não tenho a lua...Nem a flor, 
Mas sou chegado um cafuné; com muito amor! 
Sou preguiçoso sim...Não nego,
 Muitas vezes sinto tédio, 
Por isso sou firme e sutil... Quando a preguiça bate... 
Volto pra rede dormir!
 Meu sonho de gato... 
Andar nos telhados eróticos da vizinhança. 
Quando tem criança por perto...
 Roubam-me as chaves do sossego! 
Fecho meus olhos; cor de ouro, 
Gosto de ser gato... Porque exerço fascínio nas pessoas,
 E digo mais...Não tenho pulgas não... 
Sou cínico sim; mais sou limpinho.
 Meus passos são silenciosos, 
Já fui considerado animal sagrado. 
Hoje...Sou gato caseiro; preguiçoso, 
Quero achar uma lady gata...E ser amado! 
Agora já chega...Já viram meu perfil,
 Estou sentindo uma sonolência... 
Ah! Ia me esquecendo...
Eu me chamo Lusbel. 
Agora podem balançar a rede, por favor? 
Angela Maria 2014